Quando o marketing começa a exagerar, é porque o desespero já deu as caras. E é exatamente assim que muita gente está enxergando os últimos movimentos do prefeito Antônio Furlan. Depois de cinco anos no comando da prefeitura, a imagem que um dia ajudou a eleger o “prefeitão” hoje parece mais atrapalhar do que ajudar.

O mais novo episódio desse marketing do desespero foi o vídeo em que o prefeito aparece em cima de uma moto, sem capacete, fazendo o famoso “grau” em plena via pública. Uma cena claramente pensada pra viralizar, chamar atenção e tentar passar aquela imagem de prefeito “raiz”, descolado e próximo do povo.

Só que o efeito pode ser o contrário.

O vídeo gerou comentários, críticas e preocupação. Não só fora, mas dentro do próprio grupo político. O clima já começa a pesar na cúpula que cerca Furlan, que vê com apreensão a estagnação do nome do prefeito no projeto de chegar ao Governo do Amapá.

Sem crescimento nas pesquisas e sem novidades de impacto na gestão, o marketing entra em campo como tentativa de sobrevivência da imagem. Quando falta resultado, sobra encenação. Quando a entrega não aparece, a aposta vira curtida, vídeo e personagem.

O problema é que governar Macapá não é fazer cena pra rede social. Vídeo em moto não resolve buraco, não melhora posto de saúde, não organiza transporte público. E o povo sente isso no dia a dia.

Pior ainda é o exemplo. Se o prefeito pode desrespeitar regra de trânsito pra fazer marketing, qual é a mensagem passada pra população? A de que vale tudo por engajamento — até ignorar a lei.

No fim das contas, o marketing do desespero mostra mais fragilidade do que força. A imagem está gasta, o roteiro é repetido e o eleitor já conhece esse filme. E quando o marketing vira a principal aposta, é sinal claro de que o projeto político entrou em modo de contenção de danos.

A pergunta que fica é simples: até quando o prefeito vai insistir numa fórmula que já não convence, enquanto os problemas reais da cidade continuam cobrando resposta?

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