2026 começou muito mal para o prefeito Antônio Furlan e para o seu entorno político. Os fatos negativos passaram a se suceder em ritmo acelerado, reforçando a percepção de que a gestão perdeu o controle da narrativa — e da própria base social que a sustentava.

No campo familiar e institucional, o afastamento do irmão do prefeito, João Furlan, promotor de Justiça do Ministério Público do Amapá, por 60 dias, determinado pelo Conselho Nacional do Ministério Público, foi um golpe duro. O episódio reacendeu denúncias antigas e jogou luz sobre relações que o prefeito sempre tentou manter fora do debate público.

Na sequência, vieram à tona novas informações sobre o desvio de cerca de R$ 400 mil do hospital municipal. A Polícia Federal desvendou o caminho do dinheiro — e da famosa mochila — que teria saído de um empresário e ido parar nas mãos do motorista de Antônio Furlan. O impacto político foi imediato e corrosivo.

Mas 2026 não é o início do fim por acaso. Ao longo de cinco anos de mandato, foram se acumulando denúncias e suspeitas: compra de votos envolvendo diretamente o irmão do prefeito; acusações de pedido de propina; indícios de lavagem de dinheiro; o caso dos R$ 8 milhões da Jaci Barata; calotes em empresários, especialmente fornecedores da merenda escolar; e suspeitas de desvio de recursos federais da educação. Tudo isso agora começa a desaguar ao mesmo tempo.

Como se não bastasse, até o capital simbólico do casal mais midiático da política amapaense começou a ruir. O mais novo deslize de Raíssa Furlan ocorreu durante um culto evangélico. No momento em que o pastor iria impor as mãos sobre sua cabeça para conceder a bênção, Raíssa retirou a mão do líder religioso, num gesto claro de reprovação ao rito.

Para a comunidade evangélica, isso soou como ofensa. Quem se coloca dentro de um espaço religioso precisa compreender e respeitar os ritos daquela denominação. Ali, o pastor é visto como porta-voz de Deus, e rejeitar a bênção não é um detalhe — é um símbolo forte. Na política, símbolos pesam. E esse pesou muito mal.

O resultado é visível. A cada erro, a cada mancada, a cada derrapada pública, a imagem do “favorito” vai se desmontando. Antônio Furlan, que saiu de uma reeleição com cerca de 85% dos votos e chegou a flertar com quase 60% das intenções de voto para o governo, hoje vê esse capital escorrer pelos dedos.

Abril se aproxima, trazendo a decisão inevitável: disputar ou não o governo do Estado. Mas, diante do acúmulo de crises e do desgaste crescente, fica cada vez mais evidente que 2026 não será o ano da candidatura — e talvez marque o início de uma das maiores decadências políticas já vistas no Amapá.

O sonho pode até ser adiado para 2030. Mas, do jeito que vai, a cada amanhecer, ele parece mais distante.

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